quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Um dia em SSA

Trans-Sinfonia


      O intinerário era Vale dos Rios-Barra, com todos os vai e vem e volta e não vai... e não vai... e não vai... e vai indo... mais um pouquinho...ao rítmo invisível de Martinho da Vila, rítmo esse amplamente adotado, desenvolvido e divulgado no seio do trânsito soteropolitano. A melodia martiniana se intensifica, ganhando tons agudos ou graves a depender da configuração das nuvens que parecem aderir e exaltar o movimento geral da cidade. 
     Na verdade, esses aglomerados cinzentos de potenciais catastróficos imprimem seu próprio movimento ou não-movimento às óticas enclausuradas, nos seus carros. Não o movimento veloz, quando descem de seus tronos celestiais, mas aqueles goticulares vítreos ( as gotinhas se condensando no vidro, morosas, despreocupadas). 
     Eu observava tudo isso do famoso R3 rumo ao campus florestal ondinense. Talvez a preservação da mata auxilie as ciências biológicas... De qualquer modo, aquelas gotas se acumulavam tediosas na janela, quando um som peculiar me desvia a atenção... sanfona? Sim, era uma sanfona com direito a batucada de tambor! Por um instante acreditei que o São João havia retornado, apesar das feições pouco simpáticas de alguns ouvintes, atípicas no São João. O som era até agradável, o cantor nem tanto, mas sua voz se arrastava junto ao espalhar das águas nas janelas. Tudo ia mais ou menos bem até os vizinhos nos seus autoimóveis resolverem contribuir com o som mais alto ao seu alcance... 
     As buzinadas irrompem na atmosfera chuvosa e invadem dissonantes a harmonia junina que tentava se estabelecer no sistema auditivo. Não sei bem se existe conflito entre os sons ou se eu imaginei tudo isso, graças à dificuldade do cérebro em decodificar tantas "harmonias" distintas... Harmonias no Plural maiúsculo, porque não podemos esquecer do burburinho comunicativo e das pessoas na rua, tentando ganhar a vida precariamente. Nesse momento, entro numa crise existencial, pois tento abstrair tudo quanto seja possível, me aproximando de um estado meditativo-anestésico. Mas... como só Jesus salva, a meditação durou pouco.      
     A palavra de Deus me despertou com seu discurso arrebatador, pra não dizer sacudidor das entranhas do ser com foco especial no já castigado ouvido. Não sei se Jesus enunciou "gritai e orai"... (talvez seja um texto suprimido dos evangelhos ou, quem sabe, o nascimento de uma heresia que eu poderia batizar de enfaticismo, afinal os acadêmicos necessitam desses conceitos bem elaborados para seu próprio bem). Seja como for, meus ouvidos atingiram o nirvana devido à ressonância ininterrupta e insistente da palavra divina. O ônibus passava pelo transbordo que estava sendo batizado pelo ar ( pela água já está ultrapassado). A banda junina desce do seu palco móvel ( coisas da modernidade de recriar contextos e resignificar espaços) e, quando penso em me concentrar na melodia da chuva, eis que o pessoal é convocado para exercer seu papel de consumidores no capitalismo emergente das classes C, D e Etc.


     Boa noite, pessoal! Desculpe incomodar o silêncio da viagem que vocês devem estar fazendo com esse texto, mas, pessoal, chegaram aqui as deliciosas palavras mgenianas, esse texto que “cês” acabaram de ler. Agora, eu vou recolher e aqueles que tiverem interesse, aqui na minha mão, é apenas 1R$, na promoção! Perpétua promoção, diversão é o passatempo da viagem, pessoal!

O trânsito pode ser lento, mas a cidade continua agitada e meus pensamentos seguem essa Trans-Sinfonia.

Mg

Até o próximo post!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Teoria do Fluxo



Universidade Federal da Bahia - UFBA
Processos Psicológicos Básicos III – Motivação e Emoção





A motivação e a experiência de fluxo na execução da leitura de figuras musicais rítmicas por adultos não-músicos




Dalila Machado
Ediney
Márcio Lima
Jhonatan
Valdete
Salvador


Junho de 2012
Resumo

A Teoria do Fluxo proposta por Csikszentmihalyi pressupõe que para se entrar em estado de fluxo é necessário que duas variáveis estejam em perfeito equilíbrio. Tais variáveis são: o desafio apresentado e as habilidades do sujeito. Ou seja, o sujeito entra em estado de flow quando o desafio apresentado a este é perfeitamente compatível com seu nível de habilidade. Quando o indivíduo atinge esse nível dizemos que ele atingiu um nível ótimo (estado de flow). É possível também observar alguns estados emocionais associados ao estado de fluxo com a sensação de competência e realização. Entretanto, é interessante observar que, se os desafios apresentados forem maiores que as habilidades adquiridas pelo sujeito, haverá alta probabilidade de se observar nos indivíduos testados sentimentos como ansiedade e medo. Ao contrário, ou seja, caso as habilidades sejam superiores aos desafios, haverá alta probabilidade de se observar no sujeito sentimentos de tédio e apatia. A Teoria do Fluxo vem, ao longo do tempo, se mostrando eficaz nas mais diversas áreas como educação, o desenvolvimento de jogos eletrônicos e esportes.    

Palavras-chave: Motivação; Teoria do fluxo; Nível ótimo; Aplicação na prática da leitura rítmica.












Sumário
Resumo
Sumário
Introdução
Método
Resultados
Discussão
Referências bibliográficas
Anexos















INTRODUÇÃO

O comportamento humano constitui um tema que tem despertado a curiosidade de muitos estudiosos. Neste contexto, pesquisadores buscam explicar o que move as pessoas em direção a uma determinada ação e se tal motivação tem causa interna ou externa. (REEVE, ...)
De acordo com Reeve existem quatro processos que energizam e direcionam o comportamento, são eles: as necessidades, as cognições, as emoções e os eventos externos. Nessa perspectiva, percebe-se que a motivação acontece a partir de fatores intrínsecos e extrínsecos, e esses diferem tanto no que se referem à qualidade quanto à quantidade.
Assim, várias teorias nasceram na esperança de responder os múltiplos questionamentos sobre a motivação. Porém, nenhuma delas conseguiu dar respostas a todas as indagações a respeito do comportamento e suas causas, visto que tal tema abarca uma complexidade muito grande e envolve inúmeras variáveis. Neste contexto, além das Grandes Teorias sobre a motivação, A Teoria da Vontade (Descartes), A Teoria do Instinto (William James) e a Teoria do Impulso (Freud e Hull), surgiram diversas miniteorias dentre as quais a Teoria do Fluxo (Flow Theory).
O presente trabalho teve como objetivo verificar e analisar a experiência de fluxo, partindo de atividade ligada à aprendizagem musical tendo como aporte a teoria do fluxo de Mihali Csikszentmihalyi (1975), sendo esta conceituada por sua abrangência nos diferentes campos de saber e na aplicabilidade dos conceitos e métodos.

O criador desta teoria, Csikszentmihalyi, iniciou seus trabalhos na década x, no século XX através de entrevistas realizadas em diferentes países. Sua pesquisa tem norteado práticas e experiências em diversos campos do saber, dentre os quais podemos elencar: música, educação, esportes, programação de jogos eletrônicos, entre outros.
De acordo com Csikszentmihalyi, o que caracteriza o estado de fluxo é o perfeito equilíbrio entre duas variáveis: desafio e habilidade. Quando tal equilíbrio ocorre, dizemos que o sujeito está em nível ótimo, o que confirma o estado de fluxo. A experiência de fluxo, portanto envolve a motivação intrínseca, que para Csikszentmihalyi é aquele estado no qual as pessoas estão de tal maneira mergulhadas em uma atividade, que nada mais parece ter importância. (CSIKSZENTMIHALYI, 1992, p.17)
Para que o estado de flow seja alcançado determinadas características são verificadas:
1-      Envolvimento completo durante a execução da tarefa.
2-      Perda da autoconsciência, que envolve um estreitamento da interação com a atividade, provocando assim, um sentimento de unidade e identidade com todos os elementos fundamentais para sua boa realização. (ENGELMANN, Erico, 2010)
3-      Feedback imediato
4-      Percepção de que a habilidade é compatível com a tarefa
5-      Sentimentos positivos como serenidade e satisfação
6-      Alteração na percepção temporal
7-      Experiência de que a atividade é extremamente gratificante


O conceito de “experiência de fluxo” desenvolvido por Csikszentmihalyi já foi utilizado em pesquisas na área de música, especialmente nas linhas da cognição, aprendizagem e prática musical. Os resultados de tais estudos favorecem o reconhecimento da relação entre os elementos apontados nesta teoria e a aplicação destes na otimização da experiência musical. (ARAÚJO, 2008)




 
               










OBJETIVO
O objetivo desta pesquisa foi verificar o estado de fluxo de adultos não-músicos ao realizar uma leitura de ritmo com três figuras musicais rítmicas básicas - semibreve, mínima e semínima - apresentadas progressivamente ao longo de três exercícios.  Pretende-se, nesse estudo, responder a seguinte pergunta: é possível adultos não-músicos entrarem em estado de fluxo ao executarem uma tarefa de leitura de ritmo?
Os resultados dessa investigação visam à identificação de elementos estruturais da experiência de fluxo descritos por Csikszentmihalyi através dos relatos dos participantes. Dessa forma, tem-se em vista a compreensão de que a Teoria do Fluxo é um constructo relevante para se entender como a motivação direciona um indivíduo adulto que não tem conhecimento de leitura de partitura a persistir e direcionar sua atenção na execução de uma atividade musical rítmica com grande concentração, interesse e envolvimento. Assim, este trabalho pode contribuir para o reconhecimento do potencial da Teoria do Fluxo para uma prática de ensino e aprendizagem, sobretudo no campo da educação musical (Araújo, 2012).
Inicialmente, tem-se a hipótese de que os participantes vivenciariam a experiência de fluxo quando o nível de habilidade fosse compatível com a complexidade da tarefa apresentada. Assim, após realizarem um treino para o reconhecimento de três figuras musicais rítmicas básicas, o participante se sentiria desafiado a executar as tarefas por sentir-se habilitado a acompanhar todos os exercícios.


Método

Participantes
A amostra foi composta por 10 adultos não-músicos, sem qualquer conhecimento relativo à leitura de partitura, cuja faixa etária variou de 20 a 50 anos. Nenhum participante teve contato anterior com a circunstância experimental proposta.  Entre os participantes, 50%  eram do  sexo feminino (N=5) e 50% do sexo masculino (N=5).

Ambiente
O experimento foi aplicado nas dependências da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA (Universidade Federal da Bahia). Em uma das salas de aula do PRS (Pavilhão Raul Seixas), caracteristicamente quadrada, coberta, com pouco ruído ou qualquer perturbação externa. Era um dia de outono, com sol, com temperatura em torno dos 27 graus Celsius. Havia um considerável silêncio no recinto.

Materiais e instrumentos
 Para a realização do experimento, foi utilizado o software EarMaster Pro 5,   que é um programa para  treino auditivo que tem como objetivo o desenvolvimento da capacidade de reconhecimento de sons, ritmos e harmonias. O programa contém doze grupos de exercícios voltados para percepção musical. Para esta pesquisa, foi selecionado no referido software o grupo que trata da leitura de ritmo.  Os exercícios foram escolhidos realizando-se os seguintes passos: na tela inicial do programa, no quadro “Modo de treino”, marcou-se a opção “Exercícios personalizados”, em seguida clicou-se em “Exercícios” na barra de menu, logo após foi selecionada a opção “Leitura de ritmo”, para enfim ser feita a configuração da primeira tarefa  na janela “Editor de exercícios. Para mudar o exercício, segue-se a opção do menu  “Definição de Exercícios” e novamente clica-se em  “Editor de exercícios”.  Incluíram-se em cada etapa do exercício apenas figuras musicais rítmicas básicas ( semibreve,  mínima e a semínima) sequenciadas ao longo de quatro compassos quaternários, com tempo de 60 bpm.  Não foram  inseridas pausas, ligaduras, colcheias nem semicolcheias. Este software foi rodado em um computador tipo netbook com  processador de 1.66GHz, 2GB de memória RAM, sistema operacional Windows 7 Starter.

Procedimentos
Para a realização do experimento, foram convidados adultos não-músicos que declararam não ter tido experiência prévia com leitura de partitura. O conteúdo das tarefas e o software EarMaster Pro 5 foram prévia e respectivamente avaliado e indicado por um expert em música que atestou a viabilidade da realização do experimento com leigos.
Foi explicado aos participantes que a atividade havia sido proposta no curso da disciplina Processos Psicológicos Básicos III do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), semestre 2012.1 e que se tratava de uma tarefa de reconhecimento visual e sonoro de figuras musicais rítmicas básicas. Também foi-lhes assegurada a confidencialidade dos dados e a sua não identificação na pesquisa. Após essa abordagem inicial e considerando suas declarações sobre o não conhecimento relativo à leitura de partitura, os participantes foram consultados sobre a disponibilidade e interesse em fazer um treinamento prévio, com duração média de 5 a 10min, antes de receber as instruções para a execução de uma tarefa com três etapas que lhe seria apresentada posteriormente pelos experimentadores. Assim, o momento que antecedeu a aplicação do experimento consistiu em treinar os participantes para realizar uma leitura rítmica, através do reconhecimento visual e sonoro de três figuras musicais básicas (semibreve, mínima e semínima) ao longo de quatro compassos quaternários utilizando-se para isso o software EarMaster Pro 5.
            O experimento foi aplicado por dois experimentadores, um deles foi previamente treinado para fazer a seleção dos exercícios no programa enquanto que outro experimentador fazia a leitura das instruções para fins de padronização da aplicação. A título de esclarecimento, não foi utilizados os termos técnicos para as notas musicais, tendo em vista que o critério de inclusão para o experimento seria não ter experiência em leitura de partitura. Sendo assim, as notas foram apresentadas como símbolos e as instruções dadas por escrito. Além disso, foi necessário ler as instruções para os participantes explicando, reexplicando e exemplificando antes do experimento, de forma a não ficar nenhuma dúvida quanto a execução. Ainda assim, os participantes foram orientados a manifestar quaisquer dúvidas pedir esclarecimentos aos experimentadores.
Dois experimentadores aplicaram o experimento e um terceiro experimentador ficou encarregado de registrar o procedimento. O participante era convidado a sentarem-se na cadeira, as instruções eram repassadas e a aplicação do estudo começava. Após o experimento, foi dado um questionário aos participantes com diversas questões (vide anexo).
RESULTADOS
            Um dos objetivos da presente pesquisa foi investigar se adultos não-músicos sentem-se motivados e desafiados a realizarem pela primeira vez uma leitura de ritmo a ponto de alcançarem um estado de fluxo.

 Tabela 1.  Exercício considerado mais fácil pelos participantes e o motivo pelo qual assim é considerado.

Participante
Exercício/
Leitura de Ritmo
                      
Motivo
A
1.º
Acompanhou a marcação da figura musical seguindo o som mais forte.
B
1.º
Tinha um só tipo de figura musical e a quantidade era menor.
C
1.º
Tinha apenas uma figura musical.

D

1.º
Tinha apenas uma figura musical e era possível acompanhar o som, sem precisar memorizar o desenho da figura.
E
1.º
A figura musical tinha mais tempo para contar do que as outras.
F
1.º
O exercício que me exigiu menos atenção.
G
3.º
Porque já tinha a prática dos exercícios anteriores.
H
1.º
Foi mais fácil assimilar o tempo da figura musical.
I
1.º
Havia um intervalo de tempo maior para fazer as marcações da figura musical.



Tabela 2.  Exercício considerado mais difícil pelos participantes.

Participante
Exercício/
Leitura de Ritmo
                      
Motivo
A
2.º
Teve que pressionar a barra de espaço alternadamente nas batidas fraca e forte.
B
3.º
Mais desafiador.

C

3.º

Tinha três figuras musicais.

D

3.º

Exercício com três símbolos, exigência de maior concentração.
E
3.ª
Conciliar todas as regras aprendidas no mesmo exercício.
F
2.º
Necessidade de maior concentração para fazer a marcação do tempo.
G
3.º
Presença de três figuras musicais no mesmo exercício.
H
3.º
Aumento da sequência de figuras musicais.
I
3.º
Maior alternância de ritmo.









Tabela 3.  Exercício que os participantes mais gostaram de executar.
Participante
Exercício / Leitura de Ritmo
A
3.º
B
3.º
C
3.º
D
3.º
E
2.ª
F
3.º
G
1.º e 2.ª
H
3.º
I
3.º


Tabela 4.  Exercício que os participantes menos gostaram de executar.
Participante
Exercício / Leitura de Ritmo
A
2.º
B
1.º
C
3.º
D
1.º
E
---
F
2.º
G
1.º
H
---
I
3.º



Tabela 5.  Exercício que os participantes menos gostaram de executar.
Participante
Exercício / Leitura de Ritmo
A
2.º
B
1.º
C
3.º
D
1.º
E
---
F
2.º
G
1.º
H
---
I
3.º
























ANEXOS

Software EarMaster Pro 5