Universidade
Federal da Bahia
Estudante:
Marco Antonio Guarani Santana Júnior
Professora:
Maria Hilda
Fichamento de História da Bahia I
17-
Ocasiões Importantes: A Guerra para acabar com a Escravidão Baiana
Segredos
Internos: Engenhos e Escravos na Sociedade Colonial 1550-1835
Stuart
B. Schawrtz
“(Início do séc. XIX) A rápida recuperação
da atividade açucareira após os eventos no Haiti, a expansão (...) dos engenhos
e a crescente (...) importação de africanos combinaram-se às (...)
transferência da Corte (...) para o Brasil e o (...) desenvolvimento de
sentimentos nacionalistas e republicanos, criando (...) instabilidade e
agitação. Entre 1790 e 1837, a Bahia vivenciou uma comoção sem precedentes(...)”
[pg 377]
“(...) Instituições e forças de controle
social foram mobilizadas para proteger a ordem constituída, e as hierarquias e
divisões que estruturavam a vida social formaram barreiras a qualquer mudança
brusca.” [pg 377]
“(...) Escravos e forros, em épocas
diferentes e ocasionalmente em conjunto, insurgiram-se em desafio ao poder
escravocrata.” [pg 377]
“(...) desejo ressaltar o caráter endêmico
da resistência ao cativeiro no Brasil.” [pg 377]
“(...) economia de grande lavoura (...) um
flexível, adaptável e imaginativo sistema de organização da mão-de-obra e
estratificação social. Força e incentivo, castigo e recompensa, rejeição e
favores começaram no local de trabalho e se estenderam à sociedade como um
todo; ali a distinção entre escravo e livre matizou-se de hierarquias baseadas
na cor, ocupação e posição. Conquanto em termos de condições materiais muitas
vezes poucas distinções houvesse (...) mesmo pardos e brancos pobres(...)” [pg
378]
“(...) os escravos procuraram criar
ocasiões importantes e lutaram para fazer a própria história.” [pg 378]
“(...) Em uma era de revoluções (...) os
escravos da Bahia fizeram uma guerra contra a escravidão. Contudo lutaram com
desvantagens militares, sociais e ideológicas (...)” [pg 378]
Hoje para muitos brasileiros esta
classificação de nossa população em cores: preto, mulato, moreno escuro, moreno
claro, marrom, carvão, chocolate, amarelo, pardo soa inocente, mas seria, na
verdade, um reflexo do engenhoso sistema colonial de estratificação e dominação
social. Reflexo das diferentes etnias, religiões e culturas que coexistiram no
Brasil, matizadas e hierarquizadas pelos diferentes olhares que uns possuíam dos
outros.
O que Schawrtz chama de guerra contra
escravidão, um movimento sem precedentes na Bahia do início do século XIX, se
esbarrou num formidável inimigo: a própria estruturação hierárquica da
sociedade baiana. Um aliado inestimável aos senhores de engenho. Uma força
entrópica, capaz de desagregar, inibir a coesão e até gerar hostilidades entre
aqueles que já viviam esmagados na base da pirâmide.
Essa desvantagem social constituiu a
principal pedra de tropeço no caminho dos infortunados escravos. A população
negra superava em muitos a população branca e mesmo com sua inferioridade militar
só pudera ser vencida graças às sutis e bem urdidas divisões internas.
RESISTÊNCIA
ENDÊMICA: OS MOCAMBOS
“(...) a insurreição organizada não foi
característica da resistência escrava na Bahia até o 1790 (...) a resistência (...)
assumiu historicamente outras formas, variando de atos individuais de desespero
ou violência a diminuição intencional do ritmo de trabalho e recalcitrância (...).
Entre as expressões mais comuns de resistência estava a fuga (...) Para os
senhores, tais fugitivos eram doentes. Sua rejeição ao paternalismo ou seu
desejo de liberdade eram uma doença.” [pg 378]
“Escravos fugidos começaram a formar
comunidades de fugitivos, a princípio denominadas mocambos e, no século XVIII,
quilombos.” [pg 378]
“(...) a maioria era muito menor e relativamente
efêmera (...) escondidas em mangues e matas, mas relativamente próximas às
plantações e cidades, as quais saqueavam em busca de suprimentos, armas e novos
recrutas (...). Algumas regiões (especialmente o sul) eram cronicamente ameaçadas
por fugitivos.” [pg 379]
“(...) a maioria dos mocambos não parece
ter procurado a recriação de um mundo africano independente; em vez disso,
seguiu uma estratégia de sobrevivência nas fronteiras do mundo brasileiro (...).
Encontros casuais com um bando de fugitivos eram comuns o bastante para fazer
qualquer viagem ao interior uma aventura arriscada.” [pg 379]
“(...) Desde os primórdios (...),
usaram-se índios na caça aos fugitivos. Os registros do Engenho Sergipe contêm
diversos pequenos pagamentos feitos a índios que capturaram fujões (...). A
partir do início do século XVIII, nomearam-se em áreas rurais capitães-do-campo
(...) para capturar fugitivos e destruir quilombos (...) a renda dos
capitães-do-mato proviria diretamente de pagamentos feitos pelos donos dos
fugitivos (...) Esses cargos eram (...) ocupados por negros e mulatos livres
que encontravam no posto alguma autoridade e respeito.” [pg 379]
“(...) não obstante problemas como esses
(extorsões), a sociedade colonial não podia dispensar os serviços daqueles
homens (...) tudo para ‘proteger a segurança interna do povo e o domínio dos
senhores sobre escravos e malfeitores que de outro modo fugiriam todos ou se rebelariam
contra o próprio país.’ ” [pg 380]
“O custo do controle – unidades de
milícias, auxiliares indígenas e capitães-do-mato – era um preço (...) necessário
à manutenção da escravidão (...) um certo grau de resistência e fuga era
simplesmente endêmico e aceito como tal.( inaceitável foi a resistência pós
1790)” [pg 380]
Mocambos, irônicas formas de resistência
escrava que lembram os reinos cristãos da península ibérica espremidos no norte
diante do avanço imperial mulçumano. Ou o próprio reino islâmico de Granada
como última fronteira dos reinos cristãos, incluindo aquele que viria a ser
Portugal. Sociedades de fronteiras, marcadas por guerrilhas, saques, avanços e
recuos de ambos os lados.
Mesmo com toda a agressividade das forças
repressoras, mobilizadas para destruir os mocambos, estes resistiram, fosse
marchando ousadamente até a capital baiana, fosse fugindo para se reorganizar
em outros locais. A despeito da intimidação dos senhores, a despeito das
diferenças étnicas, a despeito da dita ilustração dos administradores régios, a
despeito de tudo, das condições adversas e das improbabilidades, os escravos
demonstraram muita coragem e inteligência nas suas operações militares.
Mostraram que os brancos não eram donos absolutos das armas do medo.
AS
REVOLTAS: CONTEXTO E CONSCIÊNCIA
“(...) as revoluções americana, francesa e
haitiana alteraram a substância do discurso político e as expectativas de
cativos e senhores (...) as rebeliões escravas tornaram-se parte da revolução
burguesa (Genovese) (...)” [pg 380]
“(Rebeliões escravas) século XIX parece ter
consistido principalmente em revoltas étnicas, organizadas em torno de
afiliações ou religiões africanas, combinando a rejeição ao cativeiro e à sociedade
branca com profundas e persistentes motivações relacionadas não a França ou ao
Haiti, mas a sociedades politicamente organizadas e divisões religiosas
tradicionais da África.” [pg 381]
“Isso não significa que o Haiti e a França
não houvessem produzido seus efeitos na Bahia, contudo, grupos diferentes na
sociedade baiana reagiram de modos diversos ás condições e oportunidades
surgidas naquele período revolucionário.” [pg 381]
“As
distinções entre crioulos e africanos e entre negros e mulatos não eram
simplesmente conveniências ou descrições designativas criadas pelos
recenseadores. Eram importantes categorias que descreviam as múltiplas e complexas
divisões da sociedade baiana e circunscreviam a ação política.” [pg 381]
“Foram pouquíssimas as ocasiões em que
movimentos de escravos e não-escravos se cruzaram” [pg 381]
“(Negros e mulatos livres) Seus planos
para o futuro consistia não em esmagar o regime explorador que os restringia,
mas em conseguir acesso aos benefícios que aquela estrutura prometia,
especialmente durante um período de rápidas mudanças políticas.” [pg 381]
“(...)
o excesso de homens era composto
principalmente por africanos jovens (...) O alto nível de importação também
alterou a proporção de africanos na população (...) Aquela era uma população
instável (...) [pg 382]
“Não só o volume do tráfico negreiro mas
também sua composição tiveram papel nos padrões da rebelião (...) grande
período de importação do golfo de Benin (...)” [pg 382]
“A região do golfo do Benin, em princípios
do século XIX, foi sacudida por revoluções políticas e religiosas (...). O
tráfico negreiro de longa data entre Bahia e (...) Benin foi especialmente
vantajoso para os Estados e facções africanos em guerra.” [pg 382]
“(Nagôs após 1815) muitos cativos que
vieram nesse período devem ter sido homens jovens pertencentes a exércitos
derrotados (...). Não admira que os haussás tenham sido os primeiros a
empreender revoltas e que os nagôs as fizessem mais tarde.” [pg 382]
“As lutas nas terras dos iorubas, afinal,
haviam ocorrido entre unidades políticas em guerra e entre a ativa e agressiva
expansão islâmica e a religião tradicional dos orixás.” [pg 382]
“Em algumas revoltas , há claras evidências
de cooperação entre etnias diferentes de cativos da África ocidental (...)
muito menos entre os do oeste africano e os bantos do Congo e de Angola (...)”
[pg 383]
“(Brasileiros) escravos ou forros e forras,
crioulos e mestiços (pardos, cabras, mulatos) não tomarem parte em rebeliões
escravas é uma questão problemática (...) com frequência milícias formadas por
mulatos e negros leais foram usadas contra comunidades de fugitivos ou
rebeliões escravas. A relativa ausência de cativos nascidos no Brasil de muitos
dos levantes impede qualquer análise desses movimentos como simples insurreições
da “classe servil” [pg 383]
“Mulatos forros e alguns escravos
brasileiros haviam, na verdade, dado início a atividades políticas em fins do
século XVIII; em 1798 ( Revolta dos Alfaiates)” [pg 383]
“A maioria dos conspiradores eram artesãos
e soldados da classe mais pobre, doze eram escravos e muitos eram alfaiates,
artesãos ou soldados pardos (...) os prisioneiros brancos (...) muito mais
ardor pelo livre comércio.” [pg 383]
“A divisão de objetivos entre os
conspiradores brancos e os de cor, escravos e livres, tornava qualquer
esperança de sucesso uma triste utopia.” [pg 383]
“Na
Revolta dos Alfaiates mulatos e crioulos livres mostraram-se dispostos a
compartilhar a sorte com brancos e escravos. Porém, ao entrar em ação a Justiça,
foi sobre os indivíduos de cor livres e escravos que a espada recaiu com mais
força. Após 1798, mulatos e negros livres constataram que a aliança com
escravos, especialmente a grande massa de cativos africanos, era uma tática com
poucas chances de sucesso e com riscos mortais.” [pg 384]
“A conspiração de 1798 foi um evento
isolado, após o que o movimento de escravos e pessoas de cor livres seguiram essencialmente
trajetórias separadas.” [ pg 384]
“(Sabinada
1837-8) Mesmo em meio à revolução, as divisões da sociedade escravistas não
puderam ser superadas.” [pg 384]
“Ainda que proprietários de escravos (...)
encarar seus cativos como trabalhadores ignorantes (...) estava claro que as
implicações das reformas portuguesas e dos eventos europeus não passavam despercebidas
a escravos e forros. (petições, abolição em Portugal etc.)” [pg 384]
“(Temor dos brancos) o crescimento da
população de cor livre no Brasil e com a notícia da revolução haitiana (...)
foi a população de cor livre que viu no Haiti um paralelo à sua própria
situação. Em 1804, milicianos crioulos e
mulatos no Rio de Janeiro usavam retratos de Dessalines, o líder haitiano,
pendurados no pescoço para consternação dos oficiais.” [pg 384]
Se a maioria das revoltas teve orientação
étnica, por que, ao mesmo tempo, segundo Schwartz, os quilombos não procuravam
recriar o mundo africano? Talvez pela própria conjuntura imprópria à criação de
um Estado paralelo. Os escravos precisavam conviver com uma situação precária.
Sua vantagem era a quantidade, mas esta se encontrava espalhada geograficamente
e etnicamente. Inclusive a distinção social entre livres e escravos e entre os
nascidos no Brasil e os nascidos na África, dificultava a eclosão de um
movimento mais geral. Mesmo assim, os movimentos ocorridos foram poderosos o
suficiente para fazerem qualquer senhor de engenho se sentir ameaçado.
Interessante notar que a força não era a
única arma dos escravos, existia uma articulação estratégica entre cativos,
livres e quilombolas. A partir daí até petição foi enviada a Portugal,
protestando contra a contradição entre a abolição portuguesa e a continuidade
do cativeiro colonial. Poderíamos dizer que houve uma guerra da informação. E
os senhores pareciam bem cientes do conteúdo explosivo de certas notícias como
a revolução haitiana, a abolição portuguesa e a possibilidade das revoltas
circunscritas a uma região se espalharem por toda a capitania.
Toda prudência era pouca. Espiões pululavam
em ambos os lados. A língua dos traidores era potencialmente tão perigosa
quanto uma espada.
A
GUERRA CONTRA A ESCRAVIDÃO BAIANA
“(...) A guerra contra a escravidão na
Bahia foi levada a cabo ou liderada após 1798 quase exclusivamente por cativos
africanos e por forros nascidos na África para quem a etnia era mais vital que
a condição social.” [pg 385]
“(...) O governador da Bahia, João de
Saldanha da Gama, Conde da Ponte, lançou uma ativa campanha antiquilombo em
toda a capitania.” [pg 385]
“(...) Já em 1807. Os haussás haviam
elegido um ‘governador’ que tinha como ‘secretário’ um pardo livre. Este fora
enviado ao Recôncavo a fim de aliciar escravos dos engenhos para uma revolta
conjunta (...). A conspiração foi denunciada por um cativo (presumivelmente não
um haussá)” [pg 386]
“(...)
Os conspiradores procuraram tirar proveito do ciclo religioso da colônia.
Corpus Christi, a Semana Santa e o Natal (...) a massa dos escravos rurais
representava a chave para o sucesso (...) A vitória (...) sobre a escravidão
(...) teria que ser conquistada no Recôncavo.” [pg 386]
“A insurreição malograda pôs o governo em
alerta (...) intensificou (...) sua campanha contra fugitivos e quilombos (...).
Estabeleceu-se toque de recolher (...) para os escravos, e proibiram-se os batuques (...)” [pg 386]
“As medidas tomadas pelo governador não
detiveram a onda de resistência (...)” [pg 387]
“(...) apesar de certas atitudes
progressistas. O conde dos Arcos (a partir de 1810) era um conservador em
questões políticas e um súdito leal da Coroa portuguesa (...)” [pg 388]
“A primeira batalha ocorreu ao norte de
Salvador, em Itapoã, estação pesqueira e baleeira (...). Muitos foram presos
(...). A punição deveria ser exemplar, mas até naquela situação os escravos
perturbaram os procedimentos.” [pg 388]
“(Sublevação em Santo Amaro) embora a
notícia chegasse a Salvador, o Conde dos Arcos não a levou a público, receando
pânico generalizado ou um levante na cidade.” [pg 388-389]
“Essa onda de insurreições escravas de
1813 a 1816 colocou os proprietários de escravos baianos e o conde dos Arcos em
conflito direto acerca do melhor método de controle (...). O conde não era
(...) amigo (...) dos cativos, mas achava que os baianos tinham um medo
irracional (...) e eram desnecessariamente cruéis.” [pg 389]
“O conde da Ponte adotara uma postura
severa quanto ao problema (...) após 1807 opusera-se (...) às reuniões e
batuques de escravos. Seu sucessor, o conde dos Arcos, agira com mais brandura com respeito aos batuques(grifos
nossos) (...) O conde percebera a orientação étnica das revoltas, e esperava
limitar a escala daqueles movimentos com incentivo às divisões étnicas.” [pg
389]
“ (Crítica ao conde dos Arcos) salientaram
que 1814 escravos de várias nações haviam se unido (...)” [pg 390]
“(Medidas do conde dos Arcos) Estabeleceu
rondas para patrulhar vários distritos do Recôncavo. Em Sergipe de El-Rey,
ordenanças determinaram toques de recolher, passes para cativos e prisões
arbitrárias de forros ou escravos suspeitos de atos criminosos.” [pg 390]
“Para
os senhores, aquilo não bastava. Em São Francisco do Conde (...) reuniram-se
(...) exigir a destituição do governador. Queriam o direito de deportar
qualquer suspeito rebelde e de enforcar os apanhados em revoltas (...). Os
temores raciais, a pressão inglesa pela abolição do tráfico e as atitudes
progressistas induziam à ideia de extinção do tráfico e de importação de
imigrantes europeus.” [pg 390]
“Os escravos, disseram eles, reagiam tão
somente ao rigor e ao castigo, não à bondade” [pg 390]
“Curiosamente, durante esse período em que
a sociedade colonial dividiu-se em facções monarquistas e brasileiras, os
escravos mantiveram-se relativamente quietos.” [pg 390]
“(...) o que parecia ser um excelente
oportunidade para os cativos, um ensejo a ser aproveitado, em nenhuma outra
época a sociedade baiana esteve mais mobilizada e armada do que de 1821 a 1823.
Conquanto a rebelião pudesse ser politicamente apropriada, não era taticamente
auspiciosa.” [ pg 391]
“(...) A década de 1820 assistiu a dez
revoltas na Bahia e cinco em Sergipe de El-Rey” [pg 391]
“Com efeito, as rebeliões em Salvador e no
Recôncavo podem ter estimulado os escravos em outras partes da capitania a apoderarem-se
de seu próprio destino (...) não passava uma época de Natal sem que autoridades
locais informassem sobre alguma agitação ou ameaça de rebelião escrava.” [pg
391]
“Em qualquer disputa política ou desordem
pública, a possibilidade subjacente de uma rebelião escrava permanecia à sombra
de todos os outros acontecimentos (...). O último levante escravo ocorreu em
janeiro de 1835, quando africanos muçulmanos de Salvador, a maioria nagôs, mas
incluindo alguns haussás, jejes e tapas, atacaram instalações policiais e
militares e por dois dias empreenderam uma guerra na cidade.” [pg 392]
“A guerra contra a escravidão na Bahia
fracassou (...). Não obstante as revoltas tomaram mais do que nunca evidentes
os perigos e custos da escravidão.” [pg 392]
Os batuques prenunciavam os sons da
liberdade e aqueles que foram vistos como a melhor e mais lucrativa solução
para os empreendimentos coloniais, terminaram por se constituírem um dos
maiores problemas, ameaçando, literalmente por fogo na ilusão do sonho sul-americano.
O terreno mais difícil de se conquistar é
o mental. Na mente onde se enraízam todas as estruturas de dominação, as
hierarquias e preconceitos. Talvez só a música possa unir todos num uníssono
que não implique em vivas de morte e divisões sociais intermináveis.
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